07 de Janeiro de 2013

Que vídeo e que pãozaço! Bem cozido como eu gosto. Trabalhar com forno a lenha tem que se lhe diga e é necessária muita experiência empírica. No entanto, espero um dia aprender a trabalhar com este tipo de fornos... Até lá, continuo com o meu forno de casa e a tentar não deixar os pães queimarem todos quando trabalho na padaria.
publicado por padeiro às 17:05
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23 de Novembro de 2012

A vossa Zine de Pão está de parabéns. Faz hoje dois anos que decidi começar este pequeno projecto. Com 68 posts num espaço de dois anos, isto dá uma média de 0,09 posts por dia, o que quer dizer que eu tenho os melhores leitores do mundo que me perdoam escrever aqui só de quando em vez e mesmo assim mantêm-se fiéis à causa.

Faz agora também cerca de um ano e picos que me tornei aprendiz de padeiro, entretanto interrompido por uma passagem de um mês e meio por Paris e pela Cordon Bleu, mas voltei no início do ano em força e tenho passado lá todos os sábados. Tenho crescido como padeiro semi-profissional e até já ouvi o meu mestre dizer "Antes atrapalhavas mais mas agora és uma ajuda a sério" e tenho tido alguns dias de alegria extrema quando, por alguma razão, ele tem de sair mais cedo e posso enfornar sozinho alguns dos pães. É um misto de medo, excitação e alegria. 

 

O futuro da Zine promete passar mais para a vida real. Vou realizar a minha primeiríssima Oficina de Pão na Mercearia Criativa no dia 29 de Dezembro e aí também estamos de parabéns. Em menos de 24 horas, as inscrições esgotaram e já existem listas de esperas e gente a pedir para realizar uma segunda edição. Óbvio que nós ouvimos e estamos a pensar numa segunda edição, mas até lá têm de aguardar por informações. Também houve leitores a perguntarem para quando uma Oficina de Pão no Porto. Sou todo ouvidos para tal iniciativa, só temos de arranjar um facilitador e um espaço para poder realizar a Oficina, alguém com a mesma energia do Carlos da Mercearia Criativa :)

 

Diz-se também que irei participar num programa de rádio aí em Portugal, mas a ver vamos... estas coisas são sempre pouco certas. Espero também ter tempo para ir andar um pouco por Portugal a visitar moínhos e falar com moleiros. Já tenho alguns contactos efectuados e parece-me que vou ter de percorrer uma série de quilómetros. Porquê andar a conhecer moleiros? Porque para mim isto da padaria artesanal não se limita apenas a fazer o pão, é preciso preocuparmo-nos com a origem das matérias primas usadas. Se os chefes cozinheiros de todo o mundo já descobriram isso e muitos deles têm contactos directos com os produtores (veja-se o José Avillez e a Quinta do Poial), não sei porque é que nós como padeiros seja profissionais ou amadores pouco nos preocupamos de onde vem a nossa farinha, como é moída, como é tratada, etc. Quebra-me a alma ver a coqueluche de boulangeries na baixa Lisboeta todas bonitas e não sei quê e depois usam farinhas cheias de aditivos e sem vida, enfim. 

 

Como prenda de anos, anuncio-vos agora que podem aceder à Zine através do endereço http://zinedepao.pt. Também tenho um novo mail de contacto paulo[arroba]zinedepao.pt caso queiram dizer olá ou tiverem alguma sugestão. Também aderi ao Twitter e posso ser encontrado por lá como @zinedepao. A outra prenda de aniversário é que finalmente comprei o The Taste of Bread do Professor Raymond Calvel. Considerado por muitos uma bíblia... tenho muito para ler.

 

Parabéns Zine de Pão! Obrigado a todos os que têm passado por aqui!

publicado por padeiro às 08:37
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13 de Novembro de 2012

Estava a passear pelo Facebook quando dou com este artigo que foi partilhado pelo Craig Ponsford, um padeiro famosíssimo nos USA e um expert em pães integrais. O artigo começa com esta pérola:

Our Daily Bread: At least that’s what we used to call it. Now it seems half of us can’t eat the stuff. What’s gone wrong with the staff of life, and can we fix it?

É um artigo fantástico e que todos os que se preocupam com a sua saúde deviam ler. A primeira parte do "pão mágico" do Bezian é um bocado palermice, mas o resto das conclusões ou questões que se colocam são excelentes.

 

Deixo-vos com uma passagem triste:

Half a world away, just outside the town of Mariager, on Denmark’s Jutland peninsula, a soft-spoken plant pathologist named Anders Borgen tends a two-acre organic farm that contains more than 2,000 kinds of wheat, none of which he can use commercially. “If I find a good variety, I am not allowed to sell it,” Borgensaid. The European Union strictly regulates its grain farmers, allowing them to grow only those varieties that have been certified for reliable high yields.

Esta nossa EU, enfim. Em Portugal também antigamente se produzia trigo, mas deu lugar ao milho porque se conseguia produzir mais numa área mais pequena. Variedades de cereais antigas acabam por desaparecer, como o milho míudo e o paínho. Será que algum dia vamos recuperar essas espécies? Espero bem que sim, mas por agora já não era nada mau começar-se a produzir trigo outra vez em Portugal. A maior parte do trigo que é moído em Portugal é importado de França... mas felizmente parece que já encontrei o "meu" moinho, um moínho que moe cereais nacionais em solo nacional e em mó de pedra. Soa tudo demasiado bom para ser verdade!

publicado por padeiro às 20:46
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28 de Outubro de 2012

Outro daqueles pães portugueses que acaba por ser um pouco um ícone da gastronomia portuguesa. É um pão difícil de ser trabalhado pois tanto centeio como milho têm pouco glúten e não se consegue formar uma boa liga. Para se conseguir trabalhar a massa, nas padarias costuma-se adicionar um pouco de farinha de trigo mas pessoalmente não notei grande diferença. Para se conseguir alguma espécie de coesão na massa o que se faz é deitar água a ferver em cima da farinha de milho. Isto coze o amido de milho que acaba por gelatinizar e ficar "pegajoso" e daí conseguir formar-se uma espécie de massa.

É uma receita que é difícil de fazer em pequena quantidade pois como vão ver a receita acaba por ter muitos 10 gramas ali, 5 gramas ali, etc. É também uma daquelas receitas que eu acho pessoalmente difícil, é toda outra ciência por detrás do fabrico, e esta receita e método na minha opinião tem de ser trabalhado.  Pessoalmente penso que o pão precisaria de uma segunda fermentação após o pão ser tendido, mas deixo-vos com a receita e método tradicional.

Broa de Milho

Receita adaptada da original do livro Pão Português de Mouette Barboff
Produz uma broa

Massa velha / Crescente

  • 1 colher de sopa de isco de trigo
  • 100g de farinha de trigo
  • 60g de água
Misturar todos os ingredientes da massa velha, amassar até obter uma massa coesa e deixar levedar à temperatura ambiente durante 8-12 horas.

Massa final

  • 130g de farinha de centeio peneirada
  • 280g de farinha de milho branca
  • 270g de água
  • 120g de massa velha
  • 8g de sal marinho
  • 9g de fermento de padeiro (opcional)
  • 8g sal

Ligar o forno a 250C

 

Colocar ao lume 200g de água. Peneirar a farinha de milho e quando a água levantar fervura, deitar a água por cima da farinha de milho. Mexer com uma colher de pau para que a farinha fica bem humedecida. Deixar arrefecer durante 30-45 minutos, é importante que a temperatura esteja abaixo dos 40C!

 

Adicionar o resto das farinhas, o resto da água (70g tépidos!), sal, fermento e a massa velha. Misturar bem com as mãos até tudo estar bem incorporado, a massa deve ser pegajosa e húmida, portanto adicionar mais água se for necessário. Colocar um pano por cima da massa e deixar levedar durante uma hora ou duas. Um sinal que a massa está pronta é quando se notam rachas na superfície.

 

A massa de broa é tradicionalmente tendida numa tigela bem enfarinhada, atirando-se a massa ao ar e fazendo rodar ao mesmo tempo até obter uma espécie de bola coesa. Enforna-se no forno muito quente a 250C e deixa-se cozer durante 30-40minutos ou até a temperatura interna ser 98-100C.

publicado por padeiro às 13:52
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22 de Agosto de 2012

Já aconteceu perguntarem-me que livros sobre pão tenho e quais os que recomendo. Ontem andei a arrumar a estante cá de casa e aproveitei a ocasião para tirar uma foto dos livros que tenho.

Como podem ver não existe no meu caderno mental qualquer coisa como "demasiados livros sobre pão". That's plain nonsense. Para os mais cépticos que pensam "Mas isso de fazer pão é tudo igual", garanto-vos que todos os livros são diferentes. As receitas em grande parte são parecidas, mas em alma e filosofia são completamente diferentes. No entanto, transmitem todos uma enorme paixão pelo trabalho e pela arte do pão.
Se me perguntassem os três melhores livros que tenho (os piores não vale a pena dizer) teria de destacar:
  • Bread (Amazon ou Wook) - pelo conteúdo e a variedade de receitas, atenção que há uma nova edição a caminho mesmo perto do Natal!!
  • Tartine Bread (Amazon ou Wook) - pela fotografia e pela paixão que todo o livro transmite... não é de todo um livro de receitas
  • Pão em Portugal (infelizmente esgotado em tudo o que é sítio) - por ser o melhor compêndio de pães portugueses. As fórmulas para o pão estão todas lá, muitas vezes por extenso em algum diálogo com um padeiro... mas um padeiro astuto consegue encontrá-las.
Infelizmente não tenho tido tempo para vir aqui escrever no blogue. Todos os fins-de-semana tenho trabalhado na padaria e estou de volta ao meu trabalho "normal", portanto o pouco tempo que me sobra... tento não fazer nada! No entanto, tento sempre escrever um ou outro updateou partilhar um link na página do Facebook. Façam like e sigam o que acontece por lá!
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publicado por padeiro às 07:49
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Zine de Pão
Um blogue de um padeiro amador fascinado pelo pão feito de um modo artesanal, com tradição, os melhores ingredientes, amor e dedicação. Receitas, dicas, discussões, confissões e deambulações sobre pão.
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